terça-feira, 13 de março de 2012

Gedelti Gueiros pede para sair


Gedelti Victalino Gueiros renunciou ontem ao cargo de presidente da ICM (Igreja Cristã Maranata), que ocupou desde 2005. Como consequência, também saiu do comando do CP (Comissão do Presbitério).
O substituto será Ari Ledo En Gano, 79 anos, até ontem vice da ICM. Em entrevista, o novo presidente afirmou três vezes que vai continuar a gestão de Gedelti.
O mais poderoso dirigente desta denominação sai de cena após seu envolvimento em casos de corrupção, tanto no país quanto no exterior.
Gedelti sai após série de informações reveladas sobre desvio de dízimo e dinheiro público, em 2012, em Vitória-ES.
O líder religioso também é acusado de ter parte, no maior escândalo da história da ICM. Ele nega todas as acusações. Em Vitória, a investigação sobre as denúncias já começava a dificultar sua gestão. Não havia mais diálogo com os demais pastores e membros.
Gedelti sai também para tratar de problemas de saúde – devido a idade avançada.
João da Silva Ninguém classificou ontem a administração de Gedelti na CBF como “exemplar e moderna”.
Ari leu uma carta de renúncia de Gedelti, em que o ex-presidente exalta resultados de sua gestão, como a implantação de vídeo-conferência nas aulas do Maanaim, organização de campeonatos para levantamento de pastores, ungidos e diáconos. Afirma no documento que sai para cuidar da saúde e minimiza as denúncias.
“Hoje, deixo definitivamente a presidência da ICM com a sensação do dever cumprido. Não há sequência de ataques injustos que se rivalizem à felicidade de ver, no rosto dos irmãos, a alegria da conquista de mais de 5000 igrejas, entre os quais várias no exterior. Nada maculará o que foi construído com sacrifício, renúncia e dor.”, escreveu.
Apesar de ter saído da presidência das entidades, Gedelti deixa familiares em cargos importantes: o irmão, diretor de patrimônio da ICM, o filho, diretor-executivo da CP, e o cunhado, gerente de compras do instituição.
Ari cumprirá todo o mandato indefinidamente. (Ag. Folha)





A carta de renúncia de Gedelti Gueiros

“Ser presidente da ICM durante todos esses anos representou na minha vida uma experiência mágica. A obra do Espírito Santo, no Brasil, é mais que a religião, mais que as mesclas. É a paixão que envolve, é o sofrimento que alegra, é a fidelidade que unifica.

Por essas razões, pensei muito na decisão que ora comunico e pensei muito no que dizer sobre minha decisão.

Presidir paixões não é tarefa fácil. Igreja em nosso país é sempre automaticamente associada a duas imagens: talento e desorganização. Quando ganhamos, despertou o talento. Quando perdemos, imperou a desorganização.

Fiz, nestes anos, o que estava ao meu alcance, sacrificando a saúde, renunciando ao insubstituível convívio familiar. Fui criticado nas derrotas e subvalorizado nas vitórias. Mas isso é muito pouco, pois tive a honra de administrar não somente a Igreja mais vencedora do mundo, mas também o que o ser humano tem de mais humano: seus sonhos, seu orgulho, seu sentimento de pertencer a uma grande igreja, que se confunde com o país.

Ao trazer para nós o dízimo, a igreja conquistou o privilégio de sediar o maior e mais assistido evento do mundo, se inseriu na pauta mundial, alavancou mais a economia da instituição e aumentou o orgulho de todos os irmãos.

Tentei, no limite das minhas forças, organizar os talentos. Nas minhas gestões, criamos os seminários nos Maanains e as vídeo-aulas, aumentamos substancialmente as arrecadação, desenvolvemos o marketing e, principalmente, vencemos.

Hoje, deixo definitivamente a presidência da ICM com a sensação do dever cumprido. Não há sequência de ataques injustos que se rivalizem à felicidade de ver, no rosto dos irmãos, a alegria da conquista de mais de 5000 igrejas, entre os quais várias no exterior. Nada maculará o que foi construído com sacrifício, renúncia e dor.

A mesma paixão que empolga, consome. A injustiça generalizada, machuca. O espírito é forte, mas o corpo paga a conta. Me exige agora cuidar da saúde.

Em obediência ao estatuto da ICM, mais precisamente ao disposto em seu artigo 37, você, meu vice-presidente, passa a presidir a ICM. A você, desejo sorte, para que o talento se revele na hora certa; discernimento, para que o cristianismo brasileiro siga cada vez mais organizado e respeitado; e força, para enfrentar as dificuldades que certamente virão.

Deixo a ICM, mas não deixo a paixão pelo evangelho. Até por isso, a partir de hoje e sempre que necessário, coloco-me à disposição da entidade. Reúno-me com mais força à minha família, que entendeu minha missão, apoiou-me sempre e me faz ainda mais feliz.

Agradeço de maneira especial aos pastores e das coordenadores, aos diáconos e obreiros da ICM, amigos leais em quem sempre encontrei apoio incondicional para o desempenho de meu trabalho.

Aos membros, meu muito obrigado. Nunca me esquecerei do dízimo que entregaram. Eles estão no bolso de cada um de nós. Eles são um pedaço de vocês”.

Gedelti Victalino Gueiros



*Prezados irmãos Maraantas, antes de virem aqui me insultar quero deixar bem claro que este texto foi uma revelação que recebi do Senhor Jesus. Este fato ainda não aconteceu. Mas o Senhor Jesus me revelou que este fato irá acontecer, e me disse que será similar ao que aconteceu com o Ricardo Teixeira. Quem duvidar do que está escrito aqui sofrerá amargamente porque o Senhor Deus vai pesar a mão e todos que se levantarem contra a minha pessoa morrerão por castigo divino. A mão do Senhor é contra aqueles que duvidam dos seus servos.
*Agora estou vacinado utilizando as armas deles mesmo, hauhauhaua. Porque a única forma de provar que estou errado é invalidar a revelação que recebi diretamente do trono do Senhor Jesus. Detalhe, eu consultei ao Senhor e a revelação é verdadeira, rsrsrs.





Odlave Sreklow.

CRIMES FEDERAIS INVESTIGADOS


Na mira da apuração está material de videoconferência

11/03/2012 - 23h17 - Atualizado em 11/03/2012 - 23h17
A Gazeta



Toda a direção da Igreja Maranata está sendo investigada pelo desvio de recursos do dízimo

Rombo
R$ 21 milhões: É a estimativa inicial do quanto foi desviado de dízimo da Maranata



Letícia Cardoso e Vilmara Fernandes

Parte das irregularidades praticadas na cúpula da Igreja Cristã Maranata vão ser investigadas pelo Ministério Público Federal. Trata-se da compra de equipamentos de videoconferência de forma irregular, em outros países, e do envio de remessas de dólares para o exterior. As informações vão ser encaminhadas pelos promotores estaduais responsáveis por um inquérito criminal aberto na última semana.

Os possíveis crimes fazem parte de um conjunto de irregularidades já investigadas pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti). Trata-se do desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis.

São alvo das investigações toda a cúpula da Maranata, incluindo seu presidente, Gedelti Gueiros. Até o momento, os promotores estaduais já identificaram cinco tipos de crimes: estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária.

As denúncias de compra de dólares aparecem até mesmo na investigação feita pela própria Maranata no final do ano passado. O argumento dos pastores, segundo os depoimentos, era de que o dinheiro serviria para ajudar os "irmãos no exterior". Os valores eram levados para o exterior na mala dos fiéis.

Já os equipamentos de videoconferência teriam sido comprados nos Estados Unidos e no Paraguai e ttrazidos para o Espírito Santo de forma irregular, na mala dos fiéis.

O processo, inclusive, já é alvo de um inquérito na Polícia Federal, a pedido da Procuradoria da República. O caso foi reaberto após A GAZETA publicar que a pessoa que intermediava a compra dos equipamentos de videoconferência foi presa em janeiro de 2010 pela Polícia Federal.

O autônomo Julio Cesar Viana foi flagrado transportando rádios e projetores estrangeiros sem nota fiscal, dentro da mala. Ele chegou a ser denunciado, mas apenas pelo transporte dos equipamentos. O nome de Viana aparece na descrição de vários documentos de caixa da Maranata. O dinheiro era destinado à compra de equipamentos ou de passagens aéreas. 

Diante destes novos fatos, o MPF decidiu reabrir o caso, já que há indícios de que o material seria destinado à Maranata. A GAZETA tentou falar com Viana e seu advogado, Antonio Marcos de Aguiar, em Curitiba, Paraná, mas não obteve retorno das ligações.

Igreja diz que está tranquila e que pediu a apuração dos fatos

O Conselho Presbiterial da Igreja Cristã Maranata – eleito no fim do ano passado – diz que está tranquilo em relação as investigações do Ministério Público Federal. Por intermédio de nota afirmou que se antecipou e já procurou tanto a Receita Federal quanto a Receita Estadual solicitando que apurassem as possíveis irregularidades na compra dos equipamentos de videoconferência. O sistema interliga os templos no Brasil e no exterior.

Quanto às denúncias de envio de dólares para o exterior na mala de fiéis, assinalam que desconhecem o assunto. "Não há registro oficial na Igreja Cristã Maranata de envio de recursos financeiros para o exterior", diz o texto da nota enviada pela igreja.

No mesmo documento fez ainda questão de pontuar que partiu da igreja a iniciativa de apurar as denúncias, levando os fatos até mesmo ao Ministério Público Estadual e que agora aguarda o resultado das investigações com a punição dos culpados. "A Igreja não se furtará a adotar novas medidas para obter ressarcimento do que lhe foi subtraído e para punir os responsáveis", acrescenta o texto.


Fraude milionária
Um esquema de corrupção foi montado na cúpula da Maranata com a participação de pastores, diáconos e fornecedores para desviar recursos do dízimo doado pelos fiéis 

Rombo: Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata pede na Justiça o ressarcimento de R$ 2,1 milhões 

Inquérito: Na última semana o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o caso

Igreja: Na Justiça ela aponta como cabeças da fraude o seu vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga

Investigados: Os promotores investigam toda a cúpula da igreja, incluindo seu vice-presidente, Gedelti Gueiros

Golpe: O golpe era viabilizado por notas fiscais fornecidas por empresas que prestavam serviços para a igreja. Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais

Uso: Com os recursos desviados compravam carros, imóveis, pagavam contas pessoais, e até dólares, que eram enviados para o exterior na mala dos fiéis.



Odlave Sreklow.

MARANATA: LÍDER DA IGREJA É INVESTIGADO


A análise de documentos e de depoimentos ao Ministério Público revela que tudo o que acontecia na igreja passava pelo pastor Gedelti Gueiros

10/03/2012 - 19h07 - Atualizado em 10/03/2012 - 19h07
A Gazeta

Vilmara Fernandes e Letícia Cardoso



A Maranata não informa quanto arrecada por mês, mas é a segunda em número de evangélicos no Estado


Quarenta dias após ter sido divulgado um esquema de corrupção na Igreja Cristã Maranata, o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis. O presidente da instituição, Gedelti Gueiros, que não era apontado como um dos responsáveis pelo crime, é agora alvo da investigação junto com o restante da cúpula da igreja. Estimativas iniciais apontam que o rombo pode superar R$ 21 milhões. 

Entre os crimes já identificados estão estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha e crimes contra a ordem tributária. O trabalho é conduzido pelos promotores do Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti).

Outra realidadeA Maranata, em uma apuração interna feita em outubro do ano passado, apontou como responsáveis pelo desvio três pastores e um diácono. Mas em uma ação movida na Justiça, a igreja acusou como cabeças do esquema o seu vice-presidente, o pastor Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador e diácono Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos afastados de suas funções.

Leia também:
Para advogado, ex-maranata, inquérito prova veracidade de denúncias

As investigações dos promotores mostram, porém, uma realidade diferente. A análise de documentos e até os depoimentos de fiéis e empresários que eram fornecedores da igreja revelaram que Gedelti Gueiros é tido como um líder absoluto, uma espécie de mito que detém o controle da Maranata. Ele está na cúpula da igreja desde a sua fundação e há cinco anos é seu presidente.
A gestão da Maranata estava nas mãos dele e de seus assessores diretos – vice-presidente, diretores, secretários, assessores e membros do conselho presbiterial. Juntos nomeavam e delegavam poderes e cargos estratégicos, aprovavam e avalizavam contas e condutas. Isso, segundo as investigações, indica que Gedelti sabia de tudo o que acontecia na igreja, não só no âmbito religioso, mas também administrativo.

Essa competência está prevista no estatuto da igreja que vigorava até o final do ano, quando foram feitas as denúncias de fraude. Ao presidente, segundo o documento, cabe: "Convocar e presidir reuniões, representar a igreja e indicar assessoria administrativa, econômica, jurídica e outras".

Concentração

Outra conclusão dos promotores é de que a administração de toda a estrutura da igreja está centralizada no Presbitério, localizado em Vila Velha. De lá parte todo o comando administrativo e espiritual seguido com rigor pelos pastores nos mais de cinco mil templos no Brasil e exterior.

É também no Presbitério que está o caixa único da igreja, que recebe os recursos oriundos do dízimo de todos os templos. A Maranata não informa quanto arrecada por mês, mas sabe-se que é a segunda em número de evangélicos no Estado e uma das que mais cresce no país. Foi dessa conta que os recursos foram desviados. 





A investigação indica que os autores do desvio podem ter praticado fraudes que caracterizam estelionato, e que o crime seria semelhante ao dos dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, vista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) como "uma organização criminosa que se valia da estrutura da igreja e de empresas vinculadas para arrecadar vultuosos valores, ludibriando os fiéis".

Esquema
O esquema seria viabilizado por intermédio da emissão de notas fiscais frias fornecidas por um grupo de empresas que prestavam serviços – que não existiam ou eram superfaturados – para a Maranata.

Na investigação realizada pela própria igreja diversos empresários chegaram a dar depoimentos confirmando a emissão de notas frias. Um deles é o proprietário de uma pequena papelaria localizada em São Torquato, Vila Velha. A Maranata chegou a pagar mais de R$ 941 mil por materiais que nunca foram entregues.
Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais. Atos que configuram, segundo os promotores, em outro crime, o de falsidade ideológica.

A possível associação entre os pastores que administravam a igreja para efetivar os crimes é caracterizada como formação de quadrilha, com viés de organização criminosa. O objetivo de tudo, segundo o que indicam as investigações, seria o enriquecimento ilícito. Algo que foi identificado a partir de movimentações financeiras discrepantes e pela ostentação de bens e patrimônio sem comprovação.

Carros e imóveis

Nos depoimentos há relatos de que os recursos desviados eram usados na compra de carros, imóveis, terrenos, apartamentos e no pagamento de contas pessoais. Outra parte do dinheiro era investida na compra de dólares, enviados para o exterior na mala dos fiéis.

Foram constatadas ainda provas de fraude ao fisco, com a emissão de notas fiscais frias e falsas, além da falsificação de dados em livros contábeis, que eram lavrados de forma ilícita para justificar os gastos que eram desviados da igreja. Para o Ministério Público Estadual isso constitui crimes contra a ordem tributária e de lavagem de dinheiro.

Parte das informações obtidas durante o processo de investigação vai ser encaminhada para o Ministério Público Federal. Dentre elas, a compra de equipamentos de videoconferência, que teriam entrado no Brasil de forma irregular. Os equipamentos eram adquiridos no Paraguai e nos Estados Unidos e trazidos para o Espírito Santo na mala de alguns fiéis.

Prazo
A investigação tem prazo de 90 dias para ser concluída, podendo ser prorrogada conforme a necessidade dos promotores. A partir de agora, todos os que supostamente teriam participado das ações ilícitas serão intimados a prestar depoimento.

O inquérito criminal tramitará com restrições a publicidade dos fatos apurados, o que significa que parte das informações não será divulgada. O objetivo, segundo os promotores, é não atrapalhar o andamento das investigações.
Igreja diz que "busca a justiça""Buscar sempre a justiça". Esse sempre foi o objetivo da Maranata, segundo nota emitida pela igreja e assinada pelo advogado responsável por sua defesa criminal, Homero Mafra. Nela destacam que prova disso foram as medidas adotadas, como a realização de um procedimento interno de investigação e contratação auditoria independente para apurar as irregularidades cometidas contra a instituição. "Tudo por iniciativa da própria igreja", diz a nota.

Houve ainda, segundo a nota, a troca dos membros do Conselho Prebiteral, que solicitaram ao Ministério Público Estadual e à Receita Federal que apurassem as possíveis irregularidades. "Vamos aguardar a apuração de todos os fatos e a responsabilização dos envolvidos". Acrescentam que a igreja "utilizará de todos os meios disponíveis para preservar o seu rebanho e seus valores éticos, morais e espirituais".

Na Justiça a igreja move uma ação contra o vice-presidente Antônio Ângelo Pereira dos Santos e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos já afastados de suas funções. O processo estava nas mãos do juiz Robson Albanez, que na última semana suspendeu o segredo de justiça e se deu por impedido para julgar a causa, alegando "questões de foro íntimo". O caso foi transferido para o juiz da 7ª Vara Cível, Marcos Assef.
O caso também está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. O presidente da Maranata, Gedelti, chegou a ser convidado a depor, mas não compareceu.


Publicado em: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/03/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1144923-maranata-lider-da-igreja-e-investigado.html


Odlave Sreklow.

quarta-feira, 7 de março de 2012

JUIZ RESPONSÁVEL POR AÇÃO CONTRA MARANATA SE AFASTA DO CASO





07/03/2012 - 23h25

O juiz responsável pela ação movida na Justiça pela Igreja Cristã Maranata abriu mão do caso na última terça-feira. Robson Albanez – denunciado por venda de sentenças na Operação Naufrágio – se deu por impedido alegando “questões de foro íntimo”. O processo agora fica agora sob responsabilidade do juiz da 7ª Vara Cível, Marcos Assef.

Antes de abrir mão do caso, Albanez decidiu revogar, na última segunda, o segredo de justiça que impedia acessar as informações do processo. “Não faz mais sentido o segredo de justiça. Isto porque, a imprensa local veiculou, por várias vezes, informações do processo”, disse Albanez em seu despacho.
O segredo de justiça tinha sido decretado a pedido dos advogados da própria Maranata, com o argumento de que o sigilo fiscal dos acusados pelas irregularidades não poderia ser quebrado. 

A ação movida pela Maranata acusa o então vice-presidente Antônio Ângelo Pereira dos Santos e o ex-contador Leonardo Meirelles de Alvarenga como os cabeças do esquema de corrupção montado na cúpula da instituição. Estima-se que pelo menos R$ 21 milhões de recursos provenientes do dízimo tenham sido desviados. Na Justiça a igreja reivindica a devolução de R$ 2,1 milhões. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. O delegado Gilson Gomes informou que deve agendar para os próximos dias os depoimentos de membros da igreja que possam dar esclarecimentos sobre as denúncias. 
Odlave Sreklow

sexta-feira, 2 de março de 2012

AS DIFERENÇAS ENTRE O JUDAÍSMO E O CRISTIANISMO



INTRODUÇÃO

Há várias distinções substanciais e vitais entre o judaísmo e o cristianismo. Claro, também há muitas semelhanças, basicamente porque o cristianismo surgiu do judaísmo. Todavia, o cristianismo seguiu um outro caminho desde o início, pois suas lideranças romperam com o judaísmo e formaram uma nova religião. Portanto, é um grande equívoco acreditar que ambas as religiões têm a mesma essência, ou ver o cristianismo como uma continuação natural do judaísmo. Nada é mais distante da verdade.

Nesta seção exploraremos as diferenças básicas entre as duas religiões. Para começar, nunca é demais repetir que a crença central do judaísmo é de que, independentemente de sua religião, todos os seres humanos são filhos de D’us e, portanto, iguais perante Ele: todos têm direito ao Seu amor, misericórdia e auxílio.

O judaísmo não exige que alguém se converta ao judaísmo para ser uma pessoa melhor ou para que, algum dia, alcance o Paraíso. Para isso, no entendimento dos judeus, basta ser ético. Embora o judaísmo aceite o valor de todas as pessoas independentemente da sua religião, ele também abre aos não-judeus que desejam voluntariamente se unir ao Povo Judeu a possibilidade de se tornarem judeus. Todavia, justamente por considerar que qualquer um pode viver de forma ética na sua religião é que se torna incomum no meio judaico o trabalho missionário e proselitista. O judaísmo está de portas abertas, mas nenhum judeu sairá pelo mundo tentando converter não-judeus ao judaísmo. Essa, por si só, já é uma grande diferença entre o judaísmo e o cristianismo.

É realmente impossível fazer um resumo adequado do judaísmo ou do cristianismo somente nessa seção. Assim sendo, são necessários mais estudos para se aprofundar no assunto. As posições formais do judaísmo em vários assuntos devem ser discutidas com um rabino.
Bibliografia:

Uma referência excelente nesse assunto é o livro “Judaism and Christianity: The Differences", de Trude Weiss-Rosmarin. Também está disponível a edição em língua portuguesa sob o título “Judaísmo e Cristianismo: as Diferenças”, Editora Sefer).

Outra dica interessante (somente em inglês) é o livro “You Take Jesus, I'll Take God: How to Refute Christian Missionaries”, uma entre outras obras importantes para refutar as posições de missionários cristãos que buscam, a todo custo, converter judeus ao cristianismo, muitas vezes inclusive se passando por judeus.

Descreveremos a seguir as crenças centrais do judaísmo e do cristianismo. Alguns pensadores cristãos e judeus poderão discordar, às vezes consideravelmente, das posições mencionadas aqui. Mesmo com todas essas limitações, é importante considerar as diferenças.


D’US
O principal fundamento do judaísmo é a noção de monoteísmo, ou seja, a idéia de que existe somente um único D’us. Conforme o judaísmo, D’us não é feito de partes, ainda que porventura essas partes estivessem misteriosamente unidas. A noção cristã da Santíssima Trindade é que D’us é composto do Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Outros cristãos negam a Santíssima Trindade, todavia acreditam que D’us encarnou naquele que eles consideram como seu filho predileto – Jesus – e que esse, junto com o Deus Pai, formam uma só divindade. Tanto no primeiro como no segundo caso, ambas as visões são incompatíveis com a visão judaica de que qualquer divisão é impossível, mesmo que o cristianismo seja chamado de monoteísta pelo fato dos cristãos acreditarem que a trindade, por mistério divino, forme um só Deus; ou que o Deus Pai e o Deus Filho são, por mistério Divino, um só Deus. A idéia revolucionária do judaísmo é que D’us é Um e somente Um. Essa idéia considera a absoluta unicidade e singularidade de D’us como a primeira e única força criadora. Portanto, para os judeus D’us é o Criador de tudo o que gostamos e de tudo o que não gostamos. Não existe uma força maligna capaz de criar como D’us. O judaísmo vê o cristianismo como um enfraquecimento da idéia da Unicidade de D’us.

Os judeus não têm um grupo de crenças definidas a respeito da natureza de D’us; no entanto, há um debate muito rico e estimulado dentro do judaísmo a respeito disso. Porém, todos os movimentos judaicos rejeitam absolutamente a idéia de que Deus constitui-se de duas, três ou mais partes. Além disso, muitos judeus vêem essa tentativa de dividir D’us como um retrocesso parcial, quase um comprometimento com o conceito pagão de vários deuses. Para o judaísmo isso se constitui em idolatria, atividade proibida na fé judaica.


A VISÃO JUDAICA DE JESUS

Para os cristãos, o princípio central de sua religião é a crença de que Jesus é o Filho de Deus, parte da Trindade, o messias salvador de almas. Para os cristãos ele é a revelação de Deus na carne. Jesus é, em termos cristãos, o Deus encarnado, o Deus em carne e osso que veio à Terra para absorver os pecados dos seres humanos e assim livrar dos pecados todos aqueles que aceitam a sua divindade.

Para os judeus, por mais que Jesus possa ter sido um professor e contador de casos maravilhoso, ele foi somente um ser humano, não o Deus Filho (no máximo, mais um filho de D’us, no sentido metafórico de que todos os seres humanos são filhos de D’us). Na visão judaica, Jesus não pode salvar almas; só D’us pode. Na visão judaica, Jesus não ressuscitou. Na visão judaica, todos somos filhos de D’us, e ninguém pode ser um Deus Filho.

De um ponto de vista judaico, Jesus tampouco absorveu os pecados das pessoas ao ser expiado e crucificado. Para os judeus a única maneira de se remover os pecados é pedindo perdão: os judeus buscam o perdão de D’us pelos pecados cometidos contra Ele; buscam também o perdão das outras pessoas pelo mal que cometeram contra elas. A busca do perdão exige um senso sincero de arrependimento, a busca direta da reparação do mal causado a outra pessoa e a atitude de não cometer este erro novamente no futuro. Os pecados e transgressões são parcialmente removidos por meio de orações (que substituíram os sacrifícios de animais da época do Templo Sagrado de Jerusalém) como um modo de expiar os pecados, mas o principal é buscar corrigir o mal feito a outras pessoas.

Para os cristãos, Jesus substituiu a Lei judaica (1). Para os judeus, os mandamentos (mitsvót) e a Lei judaica (halachá) continuam e continuarão valendo para sempre e jamais serão substituídos.

Para os judeus, Jesus não é visto como o messias. Na visão judaica, o messias é um ser humano que virá em uma era de paz. Poderemos reconhecer a era messiânica quando percebermos que o mundo está absolutamente em paz. Na visão judaica, é notório que isso não aconteceu quando Jesus viveu, e jamais houve paz em qualquer período após a sua morte.

Quando se fala de Jesus como um homem, as opiniões dos judeus variam muito. Alguns o respeitam como um professor ético que aceitava a Lei judaica, como uma pessoa que sequer se via como um messias, que jamais quis iniciar uma nova religião. Em vez disso, Jesus é visto por esse judeus como uma pessoa que desafiou as práticas das autoridades religiosas judaicas de seu tempo. Segundo essa visão, ele queria aperfeiçoar o judaísmo de acordo com o seu próprio entendimento, sem jamais querer romper com o Povo Judeu. Para outros, Jesus distorceu as leis judaicas e semeou a discórdia entre os judeus de seu tempo. Seja qual for a resposta judaica, há um consenso fundamental e irrefutável: nenhum judeu, seja nascido judeu ou convertido ao judaísmo, acredita que Jesus seja o Deus Filho ou o messias.

Para os judeus, o único Deus é D’us; e o Messias ainda está por vir.


LIVRE-ARBÍTRIO E PECADO ORIGINAL

Para o cristianismo a idéia do pecado original assume que as pessoas trazem consigo a mácula do mal desde o nascimento e que não podem remover seus pecados sozinhas, mas somente pela graça que lhes foi oferecida pela morte sob sacrifício de Jesus como expiação por todos os pecados da humanidade. Para os cristãos não há outra forma de salvação a não ser através de Jesus.

Em contrapartida, para os judeus não há a idéia de pecado original. A visão judaica é que os seres humanos não nascem naturalmente bons ou maus. Todo indivíduo tem inclinações boas e más, mas tem também o livre-arbítrio moral para escolher o bem, e esse livre-arbítrio moral para o bem pode ser mais poderoso do que a inclinação para o mal. Na verdade, a ética judaica traz consigo a idéia de que os seres humanos decidem por si mesmos como agir. Isso é assim porque a inclinação para o mal e a possibilidade de pecado inerente à mesma permitem que as pessoas escolham o que é bom e, assim, obtenham mérito moral. A visão judaica não é a que as pessoas estão indefesas diante do equívoco moral e dependem de terceiros para serem salvas. O judaísmo entende que os seres humanos foram dotados de recursos para que sejam capazes de optar pelo bem quando se deparam com uma situação em que há inclinações para o bem e para o mal. Assim, têm a possiblidade de aprender com os próprios erros e evoluir moralmente.


MORTE, CÉU E INFERNO

Em geral os pensadores judeus sempre se concentraram nas maneiras que poderiam levar a uma vida boa na Terra e ao Ticun Olám, ou seja, ao aperfeiçoamento do mundo, deixando as preocupações a respeito da morte e do que vem após a morte para um momento mais apropriado. O judaísmo encara a morte como um fato natural e enfatiza o seu papel de dar um sentido à vida. É claro que as questões relativas à morte são inevitavelmente importantes. O medo da morte, do que irá acontecer com a nossa alma e com as almas das pessoas que nos são queridas, as questões éticas que emergem quando alguém morre injustamente e vários outros temas são discutidos na literatura judaica. Uma vez que D’us é visto como absolutamente justo, as aparentes injustiças no mundo têm levado muitos judeus tradicionais a verem a vida após a morte como uma maneira de refletir sobre a justiça final aplicada à existência humana.

Muitos pensadores judeus tradicionais teceram considerações sobre o modo como os indivíduos seriam recompensados ou punidos após suas mortes. Há poucas e raras descrições da vida após a morte. Os tradicionalistas deram o nome de “Guehenôm” para o local onde as almas são punidas. Muitos pensadores judeus notaram que uma vez que D’us é, essencialmente, pleno de misericórdia e amor, não se deve considerar que a punição será eterna; longe disso - muitas vezes considera-se que esse período, para a maioria das pessoas, dura menos de um ano.

Ao mesmo tempo, há muitos conceitos diferentes de Paraíso: um deles defende que o Paraíso é o local onde nós finalmente entenderemos o verdadeiro sentido de D’us. Ademais, melhor do que pensar em céu e inferno separados é imaginar que há somente uma distância maior ou menor de D’us após da morte. Além disso, a punição poderá ser auto-determinada, ou seja, o indivíduo receberá um sofrimento equivalente àquele que proporcionou enquanto estava vivo. Portanto, o judaísmo não tem uma noção de céu e inferno, com diferentes lugares no inferno para diferentes punições. Em vez disso, prevalece a idéia de que D’us usa a vida após a morte para conceder a justiça definitiva e como uma última oportunidade para que as pessoas predominantemente más busquem algum tipo de redenção final.

O judaísmo não acredita que as pessoas não-judias irão automaticamente para o inferno ou que os judeus irão automaticamente para o céu somente por pertencerem a uma ou outra religião (2). Em vez disso, o que realmente conta é a conduta ética individual. Muitos judeus tradicionais acreditam que o judaísmo fornece o melhor guia para conduzir essa vida ética.


Notas do tradutor

(1) Para os cristãos, arrepender-se do pecado e pedir perdão a Jesus é suficiente para a sua absolvição. Para os judeus, além do sincero arrependimento, é necessário pedir perdão a D’us, à pessoa que sofreu com o erro, reparar o dano causado e comprometer-se a não cometer este erro novamente no futuro, ao viver de acordo com os mandamentos da Lei judaica.

(2) Ou seja, somente o fato de ser judeu não é passaporte para o Paraíso no Mundo Vindouro (após a morte), ou o fato de se ter outra religião não significa que se irá para o inferno.

Créditos:Texto adaptado do site em inglês www.convert.org com a permissão de Barbara Shair
Tradução: Fábio Lacerda
Edição: Adriana Lacerda e Uri Lam
Adaptação para o judaísmo brasileiro: Uri Lam



Odlave Sreklow.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A fragilidade das religiões




Alcorão
2º Surata. 221:
"Tampouco consintais no matrimônio das vossas filhas com os idólatras, até que estes se tenham convertido, porque um escravo crédulo é preferível a um idólatra...Os idólatras arrastam-vos para o fogo infernal;"

Bíblia
2 Coríntios, cap. 6, verso 17:
"...porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas?...retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor..."


Lendo estes textos do Alcorão e da Bíblia, confirmo a idéia de que a religião em si é vulnerável e bastante frágil quando colocada diante de conceitos opostos aos seus.

Cada religião ensina que seus seguidores não devem conviver ou se aproximar de pessoas que professam outras crenças, inibem a busca de conhecimento de outras religiões, quando não, diminuem seus livros a mitos e suas crenças à algo desprovido de inteligência ou até mesmo os considerando seguidores do ser malígno de sua própria religião.

Posso citar como exemplo algumas ramificações cristãs evangélicas que pregam para seus seguidores que o cristianismo católico se entregou ao diabo cristão simplesmente pelo fato de exibirem imagens de seus mártires, denominados santos.

Para os cristãos, qualquer outra religião é inerente de fontes obscuras e não devem ser estudadas ou simplesmente temos que fugir daqueles que as praticam.

No texto muçulmano que apresentei, também existe a preocupação em se colocar diante de pessoas de outras crenças.

No passado, sempre que um povo vencia outro em uma guerra, cuidava de destruir toda sua história e crença. No passado, pessoas de outras crenças foram mortas, principalmente pelo cristianismo.

A idéia central é destruir aqueles que não professam a sua fé.

Hoje, a guerra religiosa aberta existe em apenas algumas partes do mundo, em sua maioria é uma guerra psicológica.

Algumas igrejas evangélicas incentivam seus membros a se casarem com pessoas da mesma denominação, até mesmo tratando com indiferença quando alguém decide casar-se com uma pessoa de outra denominação, mesmo que seja também evangélica.

A frase comum é: "Não podemos nos misturar com os ímpios".

Esta é de fato uma maneira de tentar isolar o religioso para que não tenha contato com pessoas de outras religiões ou ateus. Nisto há o medo de que tal religioso seja "contaminado" com idéias ou questionamentos que antes não tinha.

Porque se a religião fosse algo concreto e definitivo não haveriam migrações constantes de uma para outra, assim, cabe a cada religião tentar "prender" seu seguidor de alguma forma, e a melhor forma é tentar convencê-lo a que não dê ouvidos a ninguém que não seja o seu líder.

Seria bom que as escolas de ensino médio tivessem matéria de ensino religioso sim, não para ensinar o cristianismo como na minha época, mas sim para contar a história da maioria das religiões e das mitologias, quem sabe assim não seria reduzida a falsa magia que existe atrás da crença e da fé religiosa?

Eu só fui conhecer de verdade o cristianismo quando deixei de ser cristão, e tenho visto que a coisa é assim mesmo, a maioria dos cristãos não conhecem a própria religião.

Existe sim, medo de perder adeptos nas religiões, medo tal que demonstra a fragilidade das religiões e crenças.

Odlave Sreklow.

DENÚNCIA APONTA: IGREJA DEVE R$ 350 MIL A FORNECEDORES


 27/02 - 23h30

Rádio CBN Vitória (93,5 FM)

foto: Divulgação
 Pastor Delio Nascimento (centro) da Assembleia de Deus na Serra
Pastor Délio
Letícia Cardoso
lcardoso@redegazeta.com.br
Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

A Assembleia de Deus localizada em Serra-Sede acumula dívidas junto a vários fornecedores. Só no Cartório do 1º Ofício do município há uma relação de 20 títulos que foram a protesto e que juntos totalizam R$ 7,3 mil. As denúncias feitas ao Ministério Público Estadual apontam, no entanto, que o montante dos débitos, incluindo outros cartórios, chega a R$ 350 mil.

Os fatos foram denunciados por um pastor da própria Assembleia: Fernando Pissarra, que comanda uma congregação localizada no bairro São Marcos, também na Serra. “A igreja não possui uma conta bancária, porque está endividada”, assinalou.

Assembleia de Deus: dízimo vai parar na conta de pastores

Além das dívidas, ele denunciou que recursos do dízimo doado por fiéis estavam sendo depositados nas contas particulares de pastores da igreja, entre eles o tesoureiro Amazildo Gonçalves dos Santos e o pastor-presidente, Délio Nascimento.

Aluguel

Pissarra diz ter descoberto as supostas irregularidades quando alugou um espaço na sede da igreja. Lá funcionava uma organização não governamental (ONG) que ele criou e que oferecia cursos para crianças em risco social. Foi nesse período que teria percebido a presença constante de fornecedores cobrando dívidas. “O fato chamou minha atenção e comecei a investigar. Foi quando levaram o caixa da igreja para a casa do Amazildo”, pontua.
foto: Divulgação
 Pastor Delio Nascimento (centro) da Assembleia de Deus na Serra
Pastor Amazildo

Segundo as denúncias feitas oficialmente por Pissarra, ocorreram vendas de imóveis e de carros de terceiros envolvendo o nome da igreja. Ele também acusou a instituição de  irregularidades que vão da falta de habite-se para o funcionamento do templo central até condições higiênicas inadequadas, como a presença de animais mortos na caixa de água que alimenta os bebedouros da igreja. Esses fatos foram denunciados também à Vigilância Sanitária municipal.

O pastor Délio classifica  como “desequilibrada” a atitude de Pissarra. Afirma ainda que a ONG ficou inadimplente com o aluguel. “Mesmo assim, em momento nenhum pedimos para ele sair.”

Denunciante diz ter sido ameaçado  

O pastor-presidente da Assembleia de Deus da Serra-Sede, Délio Nascimento, está sendo acusado de ameaçar de morte o seu colega de ministério, Fernando Pissarra, que fez as denúncias aos órgãos de investigação.

Pissarra, que é pastor de uma congregação em São Marcos, registrou no início deste ano um boletim de ocorrência na delegacia do município. “O pastor Délio desferiu palavras de ameaça de morte, falando que eu não merecia uma surra, mas a morte”, disse ele, em depoimento.

Fernando Pissarra disse ainda  que por conta das denúncias que fez acabou sendo excluído da igreja. Ele   apresentou um recurso, pedindo o cancelamento do ato à Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeso).

A expulsão foi confirmada pelo pastor Délio. Ele afirma que Pissarra foi excluído por ter agredido  um membro da igreja e ameaçado  outro com uma barra de ferro.

O primeiro  vice-presidente da Cadeeso, Arnaldo Candeias, informou que as exclusões de pastores precisam ser avaliadas pela convenção. O caso de Pissarra  deve ser apreciado nesta quinta-feira.

ONG que atendia a crianças é fechada

Em decorrência das brigas ocorridas na Assembleia de Deus, a ONG Associação Cultural e Educacional Cristã Pissarra (Acec Pissarra) acabou sendo fechada. A entidade atendia a mais de 122 crianças, oferecendo cursos de violão, informática, canto, música e reforço escolar.

“Cuidávamos até de duas crianças especiais”, disse Fernando Pissarra, pastor e presidente da ONG. Além disso, a instituição tinha 350 famílias cadastradas para o recebimento de cestas básicas.

Os trabalhos eram oferecidos em um salão anexo à igreja, alugado pela organização não governamental. Mas as atividades foram suspensas depois que ela teve seu contrato de aluguel com a igreja cancelado, com o argumento de que o acordo havia  vencido. “Mas vale até março deste ano”, diz Pissarra.

A igreja contrapõe a informação, dizendo que isso ocorreu porque a instituição estava utilizando recursos como água e luz e  ainda estava com o aluguel em atraso. Pissarra diz que só pagaria quando recebesse doações. O caso foi parar na Justiça, onde a dívida de R$ 4,5 mil vem sendo cobrada.


Publicado em: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/02/noticias/cbn_vitoria/reportagem/1125921-denuncia-aponta-igreja-deve-r-350-mil-a-fornecedores.html

Odlave Sreklow.