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terça-feira, 17 de abril de 2012

MÃE DE DETENDO É OBRIGADA A PAGAR DÍZIMO À ALA EVANGÉLICA DE PRESÍDIO




Mãe de um detento no Centro de Ressocialização de Cuiabá (MT) disse que tem de pagar dízimo a representantes de igrejas para que seu filho obtenha a proteção da ala dos evangélicos. Afirmou que outros parentes de presos têm de fazer o mesmo.

“Eles [os presos] são obrigados a pagar dízimo todo domingo”, disse a mulher, que pediu que seu nome fique sob sigilo. “O quanto a gente levar [para os detentos] tem que dividir com eles [representantes de igrejas].”

De acordo com ela, o dízimo é pago semanalmente, aos domingos. “Lá dentro [do presídio] têm os presos que são pastores e são eles que dão um jeito de arrecadar [dinheiro] de quem é daqui de fora.”

O Ministério Público do Estado está investigando essa e outras denúncias de cobrança de dízimo. A denominação que aparece com mais frequência nas denúncias é a Universal. No presídio, há também pastores da Assembleia de Deus e da Igreja Deus é Amor.

Dilton Matos de Freitas, diretor do presídio, afirmou que já tinha recebido denúncias sobre a extorsão. “Pedimos [aos presos] que mudassem o jeito de tratar os colegas de celas e que parassem de cobrar o dízimo.”

O Centro de Ressocialização tem 1.250 detentos. Desse total, cerca de 700 estão na ala dos evangélicos.

Na expectativa de obter provas, o promotor Célio Wilson, responsável pelo caso, entrou na Justiça com pedido de busca e apreensão de documentos que a Universal mantém no presídio.

Contudo, ele estranhou que esse pedido tenha vazado para o advogado da Universal antes mesmo da realização da busca, havendo, com isso, tempo suficiente para a destruição de supostas provas.

O juiz Roberto Seror disse que o advogado da Universal teve acesso aos termos do pedido porque o Ministério Público não pediu sigilo.

A mãe do detento disse que quem não paga dízimo sofre represálias. “O preso é humilhado, forçado a fazer coisas”, afirmou. “Provocam o preso para briga.”

Para ela, a única coisa de boa da ala evangélica é que seus integrantes leem a Bíblia. “Quanto ao resto, o que fazem é tudo errado. Eles extorquem dinheiro das pessoas, maltratam os presos. Isso não é de Deus.”
Com informação das agências.



Odlave Sreklow
 



terça-feira, 13 de março de 2012

CRIMES FEDERAIS INVESTIGADOS


Na mira da apuração está material de videoconferência

11/03/2012 - 23h17 - Atualizado em 11/03/2012 - 23h17
A Gazeta



Toda a direção da Igreja Maranata está sendo investigada pelo desvio de recursos do dízimo

Rombo
R$ 21 milhões: É a estimativa inicial do quanto foi desviado de dízimo da Maranata



Letícia Cardoso e Vilmara Fernandes

Parte das irregularidades praticadas na cúpula da Igreja Cristã Maranata vão ser investigadas pelo Ministério Público Federal. Trata-se da compra de equipamentos de videoconferência de forma irregular, em outros países, e do envio de remessas de dólares para o exterior. As informações vão ser encaminhadas pelos promotores estaduais responsáveis por um inquérito criminal aberto na última semana.

Os possíveis crimes fazem parte de um conjunto de irregularidades já investigadas pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti). Trata-se do desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis.

São alvo das investigações toda a cúpula da Maranata, incluindo seu presidente, Gedelti Gueiros. Até o momento, os promotores estaduais já identificaram cinco tipos de crimes: estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária.

As denúncias de compra de dólares aparecem até mesmo na investigação feita pela própria Maranata no final do ano passado. O argumento dos pastores, segundo os depoimentos, era de que o dinheiro serviria para ajudar os "irmãos no exterior". Os valores eram levados para o exterior na mala dos fiéis.

Já os equipamentos de videoconferência teriam sido comprados nos Estados Unidos e no Paraguai e ttrazidos para o Espírito Santo de forma irregular, na mala dos fiéis.

O processo, inclusive, já é alvo de um inquérito na Polícia Federal, a pedido da Procuradoria da República. O caso foi reaberto após A GAZETA publicar que a pessoa que intermediava a compra dos equipamentos de videoconferência foi presa em janeiro de 2010 pela Polícia Federal.

O autônomo Julio Cesar Viana foi flagrado transportando rádios e projetores estrangeiros sem nota fiscal, dentro da mala. Ele chegou a ser denunciado, mas apenas pelo transporte dos equipamentos. O nome de Viana aparece na descrição de vários documentos de caixa da Maranata. O dinheiro era destinado à compra de equipamentos ou de passagens aéreas. 

Diante destes novos fatos, o MPF decidiu reabrir o caso, já que há indícios de que o material seria destinado à Maranata. A GAZETA tentou falar com Viana e seu advogado, Antonio Marcos de Aguiar, em Curitiba, Paraná, mas não obteve retorno das ligações.

Igreja diz que está tranquila e que pediu a apuração dos fatos

O Conselho Presbiterial da Igreja Cristã Maranata – eleito no fim do ano passado – diz que está tranquilo em relação as investigações do Ministério Público Federal. Por intermédio de nota afirmou que se antecipou e já procurou tanto a Receita Federal quanto a Receita Estadual solicitando que apurassem as possíveis irregularidades na compra dos equipamentos de videoconferência. O sistema interliga os templos no Brasil e no exterior.

Quanto às denúncias de envio de dólares para o exterior na mala de fiéis, assinalam que desconhecem o assunto. "Não há registro oficial na Igreja Cristã Maranata de envio de recursos financeiros para o exterior", diz o texto da nota enviada pela igreja.

No mesmo documento fez ainda questão de pontuar que partiu da igreja a iniciativa de apurar as denúncias, levando os fatos até mesmo ao Ministério Público Estadual e que agora aguarda o resultado das investigações com a punição dos culpados. "A Igreja não se furtará a adotar novas medidas para obter ressarcimento do que lhe foi subtraído e para punir os responsáveis", acrescenta o texto.


Fraude milionária
Um esquema de corrupção foi montado na cúpula da Maranata com a participação de pastores, diáconos e fornecedores para desviar recursos do dízimo doado pelos fiéis 

Rombo: Estimativas iniciais apontam para um rombo de pelo menos R$ 21 milhões. A Maranata pede na Justiça o ressarcimento de R$ 2,1 milhões 

Inquérito: Na última semana o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o caso

Igreja: Na Justiça ela aponta como cabeças da fraude o seu vice-presidente, Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga

Investigados: Os promotores investigam toda a cúpula da igreja, incluindo seu vice-presidente, Gedelti Gueiros

Golpe: O golpe era viabilizado por notas fiscais fornecidas por empresas que prestavam serviços para a igreja. Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais

Uso: Com os recursos desviados compravam carros, imóveis, pagavam contas pessoais, e até dólares, que eram enviados para o exterior na mala dos fiéis.



Odlave Sreklow.

MARANATA: LÍDER DA IGREJA É INVESTIGADO


A análise de documentos e de depoimentos ao Ministério Público revela que tudo o que acontecia na igreja passava pelo pastor Gedelti Gueiros

10/03/2012 - 19h07 - Atualizado em 10/03/2012 - 19h07
A Gazeta

Vilmara Fernandes e Letícia Cardoso



A Maranata não informa quanto arrecada por mês, mas é a segunda em número de evangélicos no Estado


Quarenta dias após ter sido divulgado um esquema de corrupção na Igreja Cristã Maranata, o Ministério Público Estadual abriu um inquérito criminal para investigar o desvio de recursos provenientes do dízimo doado por fiéis. O presidente da instituição, Gedelti Gueiros, que não era apontado como um dos responsáveis pelo crime, é agora alvo da investigação junto com o restante da cúpula da igreja. Estimativas iniciais apontam que o rombo pode superar R$ 21 milhões. 

Entre os crimes já identificados estão estelionato, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, formação de quadrilha e crimes contra a ordem tributária. O trabalho é conduzido pelos promotores do Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (Getpot) e pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti).

Outra realidadeA Maranata, em uma apuração interna feita em outubro do ano passado, apontou como responsáveis pelo desvio três pastores e um diácono. Mas em uma ação movida na Justiça, a igreja acusou como cabeças do esquema o seu vice-presidente, o pastor Antônio Ângelo Pereira dos Santos, e o contador e diácono Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos afastados de suas funções.

Leia também:
Para advogado, ex-maranata, inquérito prova veracidade de denúncias

As investigações dos promotores mostram, porém, uma realidade diferente. A análise de documentos e até os depoimentos de fiéis e empresários que eram fornecedores da igreja revelaram que Gedelti Gueiros é tido como um líder absoluto, uma espécie de mito que detém o controle da Maranata. Ele está na cúpula da igreja desde a sua fundação e há cinco anos é seu presidente.
A gestão da Maranata estava nas mãos dele e de seus assessores diretos – vice-presidente, diretores, secretários, assessores e membros do conselho presbiterial. Juntos nomeavam e delegavam poderes e cargos estratégicos, aprovavam e avalizavam contas e condutas. Isso, segundo as investigações, indica que Gedelti sabia de tudo o que acontecia na igreja, não só no âmbito religioso, mas também administrativo.

Essa competência está prevista no estatuto da igreja que vigorava até o final do ano, quando foram feitas as denúncias de fraude. Ao presidente, segundo o documento, cabe: "Convocar e presidir reuniões, representar a igreja e indicar assessoria administrativa, econômica, jurídica e outras".

Concentração

Outra conclusão dos promotores é de que a administração de toda a estrutura da igreja está centralizada no Presbitério, localizado em Vila Velha. De lá parte todo o comando administrativo e espiritual seguido com rigor pelos pastores nos mais de cinco mil templos no Brasil e exterior.

É também no Presbitério que está o caixa único da igreja, que recebe os recursos oriundos do dízimo de todos os templos. A Maranata não informa quanto arrecada por mês, mas sabe-se que é a segunda em número de evangélicos no Estado e uma das que mais cresce no país. Foi dessa conta que os recursos foram desviados. 





A investigação indica que os autores do desvio podem ter praticado fraudes que caracterizam estelionato, e que o crime seria semelhante ao dos dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, vista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) como "uma organização criminosa que se valia da estrutura da igreja e de empresas vinculadas para arrecadar vultuosos valores, ludibriando os fiéis".

Esquema
O esquema seria viabilizado por intermédio da emissão de notas fiscais frias fornecidas por um grupo de empresas que prestavam serviços – que não existiam ou eram superfaturados – para a Maranata.

Na investigação realizada pela própria igreja diversos empresários chegaram a dar depoimentos confirmando a emissão de notas frias. Um deles é o proprietário de uma pequena papelaria localizada em São Torquato, Vila Velha. A Maranata chegou a pagar mais de R$ 941 mil por materiais que nunca foram entregues.
Havia ainda a criação de empresas falsas, a utilização de laranjas para adquirir bens ou constituir as sociedades comerciais. Atos que configuram, segundo os promotores, em outro crime, o de falsidade ideológica.

A possível associação entre os pastores que administravam a igreja para efetivar os crimes é caracterizada como formação de quadrilha, com viés de organização criminosa. O objetivo de tudo, segundo o que indicam as investigações, seria o enriquecimento ilícito. Algo que foi identificado a partir de movimentações financeiras discrepantes e pela ostentação de bens e patrimônio sem comprovação.

Carros e imóveis

Nos depoimentos há relatos de que os recursos desviados eram usados na compra de carros, imóveis, terrenos, apartamentos e no pagamento de contas pessoais. Outra parte do dinheiro era investida na compra de dólares, enviados para o exterior na mala dos fiéis.

Foram constatadas ainda provas de fraude ao fisco, com a emissão de notas fiscais frias e falsas, além da falsificação de dados em livros contábeis, que eram lavrados de forma ilícita para justificar os gastos que eram desviados da igreja. Para o Ministério Público Estadual isso constitui crimes contra a ordem tributária e de lavagem de dinheiro.

Parte das informações obtidas durante o processo de investigação vai ser encaminhada para o Ministério Público Federal. Dentre elas, a compra de equipamentos de videoconferência, que teriam entrado no Brasil de forma irregular. Os equipamentos eram adquiridos no Paraguai e nos Estados Unidos e trazidos para o Espírito Santo na mala de alguns fiéis.

Prazo
A investigação tem prazo de 90 dias para ser concluída, podendo ser prorrogada conforme a necessidade dos promotores. A partir de agora, todos os que supostamente teriam participado das ações ilícitas serão intimados a prestar depoimento.

O inquérito criminal tramitará com restrições a publicidade dos fatos apurados, o que significa que parte das informações não será divulgada. O objetivo, segundo os promotores, é não atrapalhar o andamento das investigações.
Igreja diz que "busca a justiça""Buscar sempre a justiça". Esse sempre foi o objetivo da Maranata, segundo nota emitida pela igreja e assinada pelo advogado responsável por sua defesa criminal, Homero Mafra. Nela destacam que prova disso foram as medidas adotadas, como a realização de um procedimento interno de investigação e contratação auditoria independente para apurar as irregularidades cometidas contra a instituição. "Tudo por iniciativa da própria igreja", diz a nota.

Houve ainda, segundo a nota, a troca dos membros do Conselho Prebiteral, que solicitaram ao Ministério Público Estadual e à Receita Federal que apurassem as possíveis irregularidades. "Vamos aguardar a apuração de todos os fatos e a responsabilização dos envolvidos". Acrescentam que a igreja "utilizará de todos os meios disponíveis para preservar o seu rebanho e seus valores éticos, morais e espirituais".

Na Justiça a igreja move uma ação contra o vice-presidente Antônio Ângelo Pereira dos Santos e o contador Leonardo Meirelles de Alvarenga, ambos já afastados de suas funções. O processo estava nas mãos do juiz Robson Albanez, que na última semana suspendeu o segredo de justiça e se deu por impedido para julgar a causa, alegando "questões de foro íntimo". O caso foi transferido para o juiz da 7ª Vara Cível, Marcos Assef.
O caso também está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. O presidente da Maranata, Gedelti, chegou a ser convidado a depor, mas não compareceu.


Publicado em: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/03/noticias/a_gazeta/dia_a_dia/1144923-maranata-lider-da-igreja-e-investigado.html


Odlave Sreklow.

quarta-feira, 7 de março de 2012

JUIZ RESPONSÁVEL POR AÇÃO CONTRA MARANATA SE AFASTA DO CASO





07/03/2012 - 23h25

O juiz responsável pela ação movida na Justiça pela Igreja Cristã Maranata abriu mão do caso na última terça-feira. Robson Albanez – denunciado por venda de sentenças na Operação Naufrágio – se deu por impedido alegando “questões de foro íntimo”. O processo agora fica agora sob responsabilidade do juiz da 7ª Vara Cível, Marcos Assef.

Antes de abrir mão do caso, Albanez decidiu revogar, na última segunda, o segredo de justiça que impedia acessar as informações do processo. “Não faz mais sentido o segredo de justiça. Isto porque, a imprensa local veiculou, por várias vezes, informações do processo”, disse Albanez em seu despacho.
O segredo de justiça tinha sido decretado a pedido dos advogados da própria Maranata, com o argumento de que o sigilo fiscal dos acusados pelas irregularidades não poderia ser quebrado. 

A ação movida pela Maranata acusa o então vice-presidente Antônio Ângelo Pereira dos Santos e o ex-contador Leonardo Meirelles de Alvarenga como os cabeças do esquema de corrupção montado na cúpula da instituição. Estima-se que pelo menos R$ 21 milhões de recursos provenientes do dízimo tenham sido desviados. Na Justiça a igreja reivindica a devolução de R$ 2,1 milhões. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. O delegado Gilson Gomes informou que deve agendar para os próximos dias os depoimentos de membros da igreja que possam dar esclarecimentos sobre as denúncias. 
Odlave Sreklow

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

DENÚNCIA APONTA: IGREJA DEVE R$ 350 MIL A FORNECEDORES


 27/02 - 23h30

Rádio CBN Vitória (93,5 FM)

foto: Divulgação
 Pastor Delio Nascimento (centro) da Assembleia de Deus na Serra
Pastor Délio
Letícia Cardoso
lcardoso@redegazeta.com.br
Vilmara Fernandes

vfernandes@redegazeta.com.br

A Assembleia de Deus localizada em Serra-Sede acumula dívidas junto a vários fornecedores. Só no Cartório do 1º Ofício do município há uma relação de 20 títulos que foram a protesto e que juntos totalizam R$ 7,3 mil. As denúncias feitas ao Ministério Público Estadual apontam, no entanto, que o montante dos débitos, incluindo outros cartórios, chega a R$ 350 mil.

Os fatos foram denunciados por um pastor da própria Assembleia: Fernando Pissarra, que comanda uma congregação localizada no bairro São Marcos, também na Serra. “A igreja não possui uma conta bancária, porque está endividada”, assinalou.

Assembleia de Deus: dízimo vai parar na conta de pastores

Além das dívidas, ele denunciou que recursos do dízimo doado por fiéis estavam sendo depositados nas contas particulares de pastores da igreja, entre eles o tesoureiro Amazildo Gonçalves dos Santos e o pastor-presidente, Délio Nascimento.

Aluguel

Pissarra diz ter descoberto as supostas irregularidades quando alugou um espaço na sede da igreja. Lá funcionava uma organização não governamental (ONG) que ele criou e que oferecia cursos para crianças em risco social. Foi nesse período que teria percebido a presença constante de fornecedores cobrando dívidas. “O fato chamou minha atenção e comecei a investigar. Foi quando levaram o caixa da igreja para a casa do Amazildo”, pontua.
foto: Divulgação
 Pastor Delio Nascimento (centro) da Assembleia de Deus na Serra
Pastor Amazildo

Segundo as denúncias feitas oficialmente por Pissarra, ocorreram vendas de imóveis e de carros de terceiros envolvendo o nome da igreja. Ele também acusou a instituição de  irregularidades que vão da falta de habite-se para o funcionamento do templo central até condições higiênicas inadequadas, como a presença de animais mortos na caixa de água que alimenta os bebedouros da igreja. Esses fatos foram denunciados também à Vigilância Sanitária municipal.

O pastor Délio classifica  como “desequilibrada” a atitude de Pissarra. Afirma ainda que a ONG ficou inadimplente com o aluguel. “Mesmo assim, em momento nenhum pedimos para ele sair.”

Denunciante diz ter sido ameaçado  

O pastor-presidente da Assembleia de Deus da Serra-Sede, Délio Nascimento, está sendo acusado de ameaçar de morte o seu colega de ministério, Fernando Pissarra, que fez as denúncias aos órgãos de investigação.

Pissarra, que é pastor de uma congregação em São Marcos, registrou no início deste ano um boletim de ocorrência na delegacia do município. “O pastor Délio desferiu palavras de ameaça de morte, falando que eu não merecia uma surra, mas a morte”, disse ele, em depoimento.

Fernando Pissarra disse ainda  que por conta das denúncias que fez acabou sendo excluído da igreja. Ele   apresentou um recurso, pedindo o cancelamento do ato à Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeso).

A expulsão foi confirmada pelo pastor Délio. Ele afirma que Pissarra foi excluído por ter agredido  um membro da igreja e ameaçado  outro com uma barra de ferro.

O primeiro  vice-presidente da Cadeeso, Arnaldo Candeias, informou que as exclusões de pastores precisam ser avaliadas pela convenção. O caso de Pissarra  deve ser apreciado nesta quinta-feira.

ONG que atendia a crianças é fechada

Em decorrência das brigas ocorridas na Assembleia de Deus, a ONG Associação Cultural e Educacional Cristã Pissarra (Acec Pissarra) acabou sendo fechada. A entidade atendia a mais de 122 crianças, oferecendo cursos de violão, informática, canto, música e reforço escolar.

“Cuidávamos até de duas crianças especiais”, disse Fernando Pissarra, pastor e presidente da ONG. Além disso, a instituição tinha 350 famílias cadastradas para o recebimento de cestas básicas.

Os trabalhos eram oferecidos em um salão anexo à igreja, alugado pela organização não governamental. Mas as atividades foram suspensas depois que ela teve seu contrato de aluguel com a igreja cancelado, com o argumento de que o acordo havia  vencido. “Mas vale até março deste ano”, diz Pissarra.

A igreja contrapõe a informação, dizendo que isso ocorreu porque a instituição estava utilizando recursos como água e luz e  ainda estava com o aluguel em atraso. Pissarra diz que só pagaria quando recebesse doações. O caso foi parar na Justiça, onde a dívida de R$ 4,5 mil vem sendo cobrada.


Publicado em: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/02/noticias/cbn_vitoria/reportagem/1125921-denuncia-aponta-igreja-deve-r-350-mil-a-fornecedores.html

Odlave Sreklow.

ASSEMBLÉIA DE DEUS: DÍZIMO VAI PARAR NA CONTA DE PASTORES


 27/02 - 23h37


Rádio CBN Vitória (93,5 FM)

Letícia Cardoso
lcardoso@redegazeta.com.br
Vilmara Fernandes
vfernandes@redegazeta.com.br
foto: Edson Chagas
Fachada da igreja Assembléia de Deus, na rua Major Pissarra, em Serra Sede - Editoria: Cidade - Foto: Edson Chagas
Fachada da igreja Assembleia de Deus, na rua Major Pissarra, em Serra-Sede.

A polícia está investigando um possível desvio dos recursos provenientes do dízimo da Assembleia de Deus da Serra-Sede. A unidade, que é responsável por 82 templos, chega a arrecadar R$ 115 mil por mês. Até agora, segundo a polícia, já foi comprovado que os valores estavam sendo depositados nas contas pessoais de pastores. As denúncias apontam ainda para o enriquecimento ilícito do pastor-presidente da igreja, Délio Nascimento, que teria patrimônio superior a R$ 6 milhões.

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Denúncia aponta: igreja deve R$ 350 mil a fornecedores


O caso está sendo investigado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações. Segundo o delegado Gilson Gomes, a polícia apura se os valores depositados nas contas do pastores foram de fato desviados. “Se as informações forem configuradas, isso se caracteriza como apropriação indébita”, disse.

A denúncia, também protocolada no Ministério Público Estadual, aponta para outras irregularidades. Entre elas, a compra de carros e a venda de imóveis envolvendo o nome da igreja. Revela também um volume de dívidas, no nome da igreja, que gira em torno de R$ 350 mil.

Depoimentos
Nesta segunda-feira (27), três pastores prestaram depoimento na delegacia. Um deles é o tesoureiro da igreja, Amazildo Gonçalves dos Santos, que confirma ter recebido, nos últimos seis anos,  depósitos de dízimos em sua conta. O valor, segundo ele, totalizaria R$ 800 mil. Seu argumento é de que os recursos serviram para cobrir despesas que fazia em nome da instituição. “Como a conta da igreja estava inativa, acabava pagando as despesas com meu cheque”, argumenta.

O segundo tesoureiro, o pastor Henrique Gonçalves, confirmou ter feito depósitos na conta de Amazildo. Segundo o texto do seu depoimento, isso aconteceu após “receber uma ligação em que ele alegava ter emitido alguns cheques que precisavam ser cobertos”.

Gonçalves acrescentou que tudo foi feito com anuência do pastor-presidente da igreja, Délio Nascimento. “Fiz tudo cumprindo ordens quando assumia a primeira tesouraria na ausência do Amazildo”, afirmou.

Já o pastor Francisco Alves Feitoza diz que, durante um ano e dois meses, fez vários depósitos na conta de Délio Nascimento e na  de Amazildo. “Foram vários depósitos, mas não me recordo do montante”, assinalou ele,  em depoimento.

Preocupado com a denúncia, que classificou como infundada, o pastor Délio Nascimento, se defendeu, citando o caso de desvio de dízimos ocorrido na Igreja Maranata e denunciado com exclusividade pela Rádio CBN e A GAZETA : “A igreja tem uma gestão nada parecida com a da Maranata. Abro todo o sigilo financeiro”, disse.

Nascimento foi categórico ao descartar qualquer irregularidade na Assembleia que administra. Afirma que as contas particulares eram emprestadas para cobrir as despesas da igreja. “Não trabalhamos com gestão centralizada. Cada pastor é responsável por sua igreja”, frisa Délio, que deve prestar depoimento nos próximos dias.

O assunto também será avaliado pela Convenção das Assembleias de Deus no Estado (Cadeeso), que dá as diretrizes a todas as unidades no Estado. O primeiro vice-presidente da Cadeeso, pastor Arnaldo Candeias, adiantou que não há orientação para que o depósito de dízimo seja feito em contas particulares. “Nunca vi isso em lugar nenhum. Todas as igrejas devem ter suas próprias contas”, ressalta.

Publicado em: http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/02/noticias/cbn_vitoria/reportagem/1125882-assembleia-de-deus-dizimo-vai-parar-na-conta-de-pastores.html


Odlave Sreklow.